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Quem tem certeza?

Acho que um dos grandes calafrios de estar solteira ficando com alguém é não ter certeza. Não ter certeza se vocês vão se ver; não ter certeza se você é a única; não ter certeza se você quer ele como único (mentira, em geral a gente tem alguma noção do que quer); não ter certeza se a relação vai virar relacionamento.

Sabe como é? Isso se chama, na verdade, paranóia em querer controlar tudo. Sim, porque, vejamos, é claro que estar em um "relacionamento sério" dá aquela segurança maior dos sentimentos da pessoa por você e dos seus por ela, da intenção de construir algo juntos etc. Essas seguranças aí ficam bem definidas se o relacionamento for bom, mas será que dá mesmo pra ter certeza 100% do sentimento do outro o tempo todo?

Não, não dá. E quem disser que dá é porque nunca viveu um término. Um término definitivo não acontece do dia pra noite. Ele surge como uma ideia, é trabalhado, arquitetado, até que, em algum momento, vira realidade. No ínterim entre o surgimento da ideia e o dia fatídico, o que acontece é que você estava com aquela pessoa, muitas vezes achando que estava tudo tranquilo e, na verdade, não estava.

Nas minhas imersões budistas eu aprendi muito sobre o desapego. Sobre a ideia de viver o hoje, além do fato de haver o amor amoroso e o amor genuíno. Eu tenho certeza que ainda não estou no nível de amor genuíno pelo meu escolhido da vez, mas também sei que já melhorei na possessividade do amor amoroso.

Evoluir é uma construção diária. Você acha que está com tudo, doutrinando que nem Buda, daí vem a vida e te coloca uma pedrinha no sapato que faz você perceber o quão engenhoso é esse negócio de viver de forma desapegada.

E ter certeza é justamente fantasiar o controle na esfera da realidade. Fantasiar sim, afinal nem nós sabemos o tempo todo o que nós sentimentos sobre tudo, imagine tentar imaginar e controlar o que o outro pensa. Sim, é impossível.

Eu não tenho a fórmula mágica ainda (tenho esperança de atingir esse lugar ideal), aquela que vai me trazer paz absoluta independentemente dos acontecimentos ao meu redor, mas acho que o fato de eu estar buscando uma compreensão maior do outro, de mim e do universo já é um bom começo. Entender que o controle já é um sofrimento em si mesmo e tentar se afastar desse lugar no primeiro sinal de aparição já é um avanço.

E assim a gente segue, dia a dia, tentando liberar os outros e a nós mesmos dessa prisão falaciosa que se chama controle, aquele que sempre aparece travestido da singela vontade de ter certeza.

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Karma is a bitch

Esse título não é uma frase nova. Eu já li por aí algumas vezes, mas hoje está fazendo muito sentido.

Eu sempre me preocupei com meu carma. Das coisas menores às maiores. Exemplo: aquele amigo de anos, com que eu já tive milhões de lances em momentos diferentes da vida, e que depois de casado insistia em insistir em mim e eu dizia exatamente essas palavras: "não, não vamos ficar, quero ir pro céu."

Sim, eu usava essas palavras porque sempre pensei diligentemente no meu carma. Acho até pouco nobre isso, porque há algo muito egoísta em não querer ferrar o próprio carma, fazendo um pé de meia de boas ações pra próxima vida - ou pra essa mesma, vai saber.

Só que a vida é muito engraçada e atenta. E te pega mesmo quando você está distraída.

Há alguns anos, eu estava ficando com um cara (meu atual último ex namorado) e não tava ligando muito pra ele. Estava naquela da amizade, que às vezes saía e ficava, às vezes saía e não ficava. E assim seguia minha falta de humanidade.

Eis que chega o dia do meu aniversário e eu resolvo comemorar com minhas amigas em um sábado à noite. Só meninas, inicialmente, mais precisamente aquelas amigas de anos, que eu não encontrava sempre. De homens só foram dois namorados delas.

Muito bem. Por causa dessa simples comemoração íntima com minhas amigas, eu tive que ouvir, pelos, aproximadamente, três anos seguintes, que eu tinha comemorado meu aniversário e não tinha chamado meu ex (que, à época, era um amigo-ficante-às vezes).

Eu achava a reclamação dele muito póstuma e desnecessária para ser levada à sério. Vamos lá, a gente nem era ficante sério, porque eu deixava claro (sim, eu falava - lembra da falta de humanidade que eu citei acima?) que não estava tão afim dele. Então, pra mim, era muito natural comemorar só com minhas amigas sem chamá-lo.

Mas, fazendo jus ao título desse texto: sim, karma is a bitch! Meu ex ia adorar saber que hoje é aniversário do meu atual ficante e que ontem, domingo, teve comemoração na casa dele, eu não fui chamada e agora tô com uma puta dor de corno.

Tá, vamos lá, tem algumas atenuantes no caso dele. Eu mandei mensagem pra ele à noite e ele me chamou. Mas eu achei que só tinha "ur muleki" lá e que eu ia atrapalhar o papo "dur muleki" (que a gente sabe que é bem diferente quando tem e quando não tem mulher no recinto) e acabei não indo. Outra atenuante é que ele não sabia que ia aparecer uma galera lá (diz ele).

Tirando esses fatos - que pro meu bode não querem dizer nada, agora eu tenho que ficar vendo as postagens no facebook da galera que foi ontem comemorar com ele. Que maneiro!!!

Só de pirraça eu, óbvio, demorei séculos pra ligar pra ele hoje pra dar parabéns (vingativa). Até que ele me mandou mensagem desacreditando que eu não ia falar com ele no dia do aniversário dele, aí dei um tempo e liguei (geleca mole).

A razão de eu estar contando isso? Eu poderia dizer "sei lá", mas eu sei sim: ocupar meus dedos, que estão com fome emocional e já comeram uns 7 levíssimos com margarina (oi? vida saudável mandou lembranças!) de tanta raiva de mim mesma, dele e do meu ex, que ia ficar muito feliz de saber que eu me ferrei por uma coisa que eu fiz há uns quatro anos (sim, é nesse nível que eu acredito em carma).

Então, você que estiver lendo esse texto, tome muito cuidado com o que você faz. Principalmente se o que você fez faz outra pessoa encher seus pacová dizendo que machucou, que magoou etc. Um dia, você vai descobrir que, sim, machuca a beça.

E viva o carma!

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Bloquear ou não bloquear os amigos do ex, eis a questão!


Terminar um relacionamento nunca é fácil. Mesmo que você tenha a percepção clara de que a dinâmica não está mais funcionando, que aquela pessoa não é a pessoa pra você, que ele(a) não quer mais, ou qualquer outra variável que leva ao fim de um relacionamento (ou até mesmo tudo junto), fica um gosto amargo na boca de um certo fracasso.

Fracasso não no sentido de que a relação acabou, porque, afinal, por algum tempo deu certo. Mas sim a teor da esperança, da ilusão que se desfaz, ao ver que, não, aquela não será a pessoa que você passará o resto da sua vida (olá, pensamento não budista e suas expectativas de viver para sempre com a mesma pessoa até o infinito).

O sentimento de tristeza nos fins é objeto de análise e descrição desde o começo dos tempos. Não é novidade para a humanidade, embora isso não queira dizer que tenha se tornado mais fácil.

O problema é que, hoje em dia, o relacionamento pode terminar, mas os rastros de existência da outra pessoa continuam a surgir no seu caminho. O feed do facebook é o primeiro a te atordoar no pós término. 

O ex muda as fotos do facebook, começa a se "embecar", maquiar o estilo de vida colocando fotos dele de viagens que fez enquanto ainda namorava com você, pra mostrar pras novas pretendentes que ele é o cara das viagens internacionais; muda a foto do perfil - que nunca foi mudada durante todos os anos de namoro; começa a adicionar qualquer coisa que ande de saia e por aí vai.

Aí você vai e corta logo pela raiz: block nele pra evitar o sofrimento desnecessário! (Eu fiquei sabendo que existia a funcionalidade do bloqueio da pessoa depois do término. As mais escoladas em términos na era pós facebook me alertaram.)

Aí, tudo bem, sua vida segue com alguma tranquilidade, até que um amigo do seu ex posta uma foto dele em uma night super bêbado se divertindo e aquilo, sabe-se lá por que, aparece pra você. Você vai e faz o quê? Para de seguir todos os amigos do seu ex.

Ok, problema aparentemente resolvido, nada mais vai entrar repentinamente no seu caminho e desvirtuar a paz do seu dia. Mas não é bem assim.. um belo dia, seu ex fica te ligando, insistentemente, por um determinado motivo e daí, mesmo não atendendo, bate aquela curiosidade humana de saber o que está acontecendo do outro lado do ex relacionamento.

Você para, respira, pensa, respira, respira mais uma vez. Mesmo assim não se aguenta e entra na página de vários amigos do ex para saber o que tem rolado na vida do cidadão. Você achou que tinha encontrado um caminho de paz, mas não, várias informações que te desapontarão estarão ali, naquelas páginas, esperando a recaída da curiosidade.

Daí você pensa: a única solução é bloquear (o que faz com que a pessoa seja excluída do seu rol de amigos e não te veja mais no facebook) todos os amigos do seu ex. Pronto, instalou-se o dilema! Eles não fizeram nada de mau a você, por que, então, bloquear a galera toda?

Você sabe que estaria agindo a seu favor, porque, inevitavelmente, vai haver uma curiosidade e você vai acabar sabendo de coisas desagradáveis, mas mesmo assim aparecem aquelas dúvidas de se a atitude não seria exagerada, imatura (você sabe as razões da decisão, mas as pessoas não.. e por algum motivo você ainda se importa com o que os outros pensam, não é verdade!?).

Dilemas dessa era pós facebook. O cenário todo piora mais ainda quando você tem que lidar também com Instagram, twitter e seja mais lá qual for o outro aplicativo que exista, que vira a materialização do terror em um término de relacionamento.

Eu gostaria de terminar esse texto com uma conclusão poética sobre a melhor decisão a ser tomada, sobre o modus operandi correto e polido do tratamento virtual dos amigos do seu ex quando o assunto é término, mas eu não tenho como fazer isso, porque estou passando por esse exato dilema. Bloquear ou não bloquear, eis a questão! Se alguém puder elucidar a questão e me dar ideias, esta alma pré histórica que vos escreve agradece.

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O lado bom de estar solteira

O título desse texto me lembra o livro "O lado bom da vida", que eu li há exatamente um ano, tendo visto o filme em seguida.

A vida é uma constante impermanência (uma das maiores e melhores coisas que o budismo tem me ensinado, o que é papo para outro texto) e aproveitar todas as fases é essencial para que possamos apreciar a vida, verdadeiramente, já que a felicidade não é, definitivamente, o pote de ouro a ser encontrado no fim do caminho, mas sim o modo de viver nosso percurso particular.

Filosofias sobre a vida a parte, acho que é muito importante atentarmos para cada traço positivo e negativo do momento que estamos vivendo. 

Hoje, estou solteira, depois de mais de dois anos estando namorando, e posso dizer que há aspectos muito positivos na minha fase atual.

Claro que, após o término, os sentimentos são os mais horríveis possíveis. Primeiro, vem um desespero e uma falta de visão do horizonte que são tão amedrontadores que chegam a sufocar. Depois, há um sentimento de que ninguém será tão bom o suficiente para valer o seu tempo. E mais depois ainda há o que eu estou vivendo hoje, que é uma paz com o que rolar. 

Eu imagino que para me envolver com alguém, hoje, esse alguém terá que mostrar que vale muito a pena, ou seja, um envolvimento de verdade só se aquilo não me parecer uma "perda de tempo". Se acontecer outro envolvimento, ótimo, mas terá que ser de forma natural, porque não sinto vontade de sair por aí à caça de um próximo namorado.

Namorar é muito muito bom, mas não pode ser um estilo de vida. Meu namoro acabou há dois meses e meio e acredito que entrar em outro relacionamento seria apenas substituir a pessoa para manter um padrão de vida e status "namorando", o que não é a minha onda.

Acho que, para namorar, tem que ser um envolvimento maior do que apenas segurar alguém pra usar como muleta em uma vida que não se sustenta sozinha.

Bem, mais filosofias a parte, a vida de solteira tem algo de sensacional que pouco se fala. Não, não é a possibilidade de poder ficar com qualquer pessoa que a gente queira e nos queira também; não é poder ir a todas as nights que se apresentarem, indepedentemente do estado de humor do queridão que ocupava o cargo de namorado; nem é um grito de liberdade de poder ser aquela mulher super maravilhosa "que os homens não seguram ter por perto".

Não. Acho que a coisa mais maravilhosa de estar solteira, agora, é perceber que eu não tenho que agradar a absolutamente ninguém, salvo a mim mesma.

Eu sei que pode parecer muita besteira, mas é do ser humano, quando estamos com alguém, querer ser alguém, claro, que agrade também ao outro. Então, por exemplo, você queria fazer aquela viagem em um determinado momento e o queridão achava que o mais certo, naquele momento, era você investir o dinheiro. Você até pode vir a fazer a santa viagem, mas terá que ter harmonizado opiniões e ponderado outras vozes que não a sua.

Não quero dizer, com isso, que solteira você deve ligar o amigo "F" e sair fazendo o que quiser, independentemente dos que estão à sua volta, mas sim que a sua obrigação primeira e última no andar sozinha é com... você.

Vamos falar a verdade, é inerente a qualquer relacionamento um elemento chamado concessão. Não adianta, no domingo o queridão quer ver o jogo, então você pode até convencê-lo de que ir ao cinema assistir "Cinderella" é muito mais legal, mas, vamos lá.. é mesmo? Pra você pode ser, mas pra ele dificilmente será. Ele, então, estará fazendo uma concessão (que é a base de qualquer relacionamento saudável). Mas não tem um lado muito legal de você simplesmente ir ao cinema e sentir que não está quase obrigando outra pessoa a fazer o que não preferia estar fazendo naquele momento?

E não me entendam mal, fui inúmeras vezes fazer outras coisas enquanto meu ex, por exemplo, ia jogar tênis ou coisa que o valha, inclusive fui muitas vezes ao cinema sozinha. Mas tem um ar de alívio quando você pode passar o dia todo fazendo absolutamente tudo o que você gosta sem que isso seja resultado de uma mesa de negociação.

Nos feriados, por exemplo, a gente sempre viajava pra casa da família dele na região dos lagos. Eu, que sempre gostei de ir para aquela cidade, passei a pegar um certo bode, porque virou uma obrigação passar todos os feriados com a família do ex, esparramada no sofá vendo programas esportivos. Eu reclamava e aí havia concessões: eu ia, mas fazíamos programas que eu gostasse também. Ele ia e assistia a menos programas esportivos. Não tem jeito, qualquer relação vai sempre ser assim, a concessão é inerente.

O problema é que quando as pessoas entendem por prazer coisas muito diferentes, ou até complementares, mas que exijam um esforço, isso pode acabar trazendo um saldo incômodo no final. Acho que é o tipo de coisa que varia de pessoa pra pessoa, de maturidade, mas é um elemento inexorável a qualquer relacionamento, que na solteirice não existe.

Não estou pregando o solteirismo, hein! Namorar é muito bom! O que eu quero dizer é que, assim como estar solteiro, as duas condições têm seu lado bom e seu lado ruim.

De sexta para sábado, por exemplo, fui dormir às quatro da manhã vendo o filme Sex and the city, sei lá, pela vigésima vez, sem que isso atrapalhasse o sono ou o programa de outrem no dia seguinte. Ah, gente, tem um lado poético em todas as situações da vida! Quando estamos solteiras, a gente dá mais atenção à família, aos próximos desejos, ao próprio corpo e, principalmente, a quem nos ambicionamos ser. E eu acho isso um aspecto delicioso.

E quem sabe, nesse meio tempo, podemos refinar ainda mais nossas vontades a ponto de, algum dia, poder colocar-se em uma relação de forma confortável para saber o que vale de verdade uma negociação ou não.

Claro que às vezes vai bater uma carência, vai bater saudade do telefonema, do afago, mas vamos lá.. a vida é esse redemoinho de emoções e circunstâncias que eu falei no começo do texto, então vamos simplesmente aproveitar o alívio presente de ser e fazer o que se quer, até que o próximo se apresente e as negociações recomecem? Aproveitemos esse tempo para ser e fazer exatamente o que queremos e melhorarmos como seres humanos. O futuro se encarrega do resto!

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Seu valor

Na primeira sessão depois que me separei, disse para minha terapeuta que eu não entendia por que eu sabia, racional e conscientemente, o tanto de dificuldades do meu ex com elementos básicos de um relacionamento e, mesmo assim, durante a dinâmica, eu não queria terminar.

Eu tinha muitas insatisfações com relação a ele, mas eu me questionava, diariamente, se não era algo contornável, se eu não estava exigindo demais, se eu não poderia resolver isso depois.

E fui deixando. Hoje, até acho que porque realmente meu sentimento era grande por ele; o problema é que, com o tempo, o tratamento dele foi piorando e as negligências e as omissões foram ficando cada vez mais gritantes e eu, cada vez mais passiva.

A resposta da minha terapeuta para a minha pergunta foi muito simples: por que você o viu te tratando dessa forma e não decidiu ir embora? Porque você não vê o seu valor.

Na hora, foi um mini baque. Daqueles que a gente não entende bem suas nuances e fica pensando: “não vejo meu valor? Caramba, acho que isso é muito ruim! Vou pensar sobre isso.”

Os dias foram passando como uma montanha russa, como a maioria dos términos. Primeiro, eu não comia e achava que minha vida tinha acabado porque achava que tinha perdido o amor da minha vida, depois fiquei desesperada por não tomar uma decisão profissional, depois comecei a enxergar quem ele foi comigo durante o relacionamento e como ele me fazia sentir sobre mim mesma.

Quando cheguei nessa última fase acima, achei que estava com quase tudo resolvido. Até que cheguei à fase atual, de ouvir músicas românticas.

Eu me proibi de fazer isso no início, por medo de cortar os pulsos em alguma batida mais melodramática. A dor já era muito grande pra suportar.

Hoje, dois meses depois, sinto-me sã suficiente para ouvir uma música romântica, dar uma chorada e dormir, mas acho que, na verdade, regredi um pouco. Isso porque essa atitude faz com que você volte a pensar obsessivamente na pessoa e volte a relembrar dos momentos bons, enquanto todo o lixo que ele fez você se sentir é negligenciado.

Aquele seu aniversário – o primeiro de vocês juntos – que caiu em um sábado e porque a chefe dele disse que talvez fosse precisar dele, ele só chegou à sua casa de noite, tendo ficado o dia inteiro em casa olhando pro teto.

Aquela vez em que vocês discutiram em uma festa e, sem querer, você esbarrou nele, quando ele segurava suas mãos, e ele saiu fazendo exposição de figura na festa se fazendo de vítima para todos. Aliás, tapa na sua cara mental agora é o que eu quero te dar de você não ter virado as costas e ter dado tchau a ele naquele momento.

Aquelas milhões de vezes que você tentou organizar uma viagem com ele e ele sempre te levou na flauta, decidindo viajar com a família na mesma ocasião, quando você não poderia ir.

Aquela vez que você passou semanas virando a noite para comprar ingresso para a Copa e ele simplesmente foi sem você, sabendo que você é alucinada por Copa.

Aquela vez que você se formou em uma pós graduação de 3 anos dificílima, decidiu não ir na cerimônia, mas sim fazer um jantar em casa, e ele decidiu que tinha que ir correr bem na hora da comemoração.

Aquela vez que você tentou viajar com ele pra uma cidade diferente aqui do lado e ele disse que vocês não tinham como fazer isso.

Aquela vez que você se alterou com uma menina em uma festa e ele te acordou no dia 1o de janeiro e terminou com você, fazendo chacota de você para todos os amigos.

Já posso parar por aqui ou preciso lembrar mais?

Minha querida, realmente sua terapeuta tem razão: você não tem o menor senso de valor próprio se ainda estimula lágrimas por um ser humano desses.

Presente do universo, foi o que aconteceu na sua vida! Não seja ingrata, como ele foi ao te despojar, abrace o acontecimento divino e vá ser feliz com tudo isso que você é, independentemente de ele ter reconhecido ou não.

A vida te dá a chance inestimável de criar uma nova você! Decida você pela antiga ou nova você, a decisão, mais do que nunca, é só sua, e já que você, graças a Deus, não tem mais que conviver com negligências e desrespeitos na vida real, muito menos, ainda, no plano das ideias.

Aproveite-se!

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Rocha inquebrantável, impenetrável

A sua família, os seus amigos, a sua casa, os seus gostos e os seus valores são grande parte de quem você é.

Desconfie daquele que não faz questão de agradar a sua família, de quem não gosta de praticamente nenhum dos seus amigos, de quem não faz questão de ir a sua casa, de quem não quer participar dos seus gostos e de quem não partilha dos mesmos valores.

Vocês estão juntos por quê, afinal?

Se você era uma pessoa sensacional na hora da conquista e, de repente, nada seu mais tem valor, será sua a responsabilidade de não segurar o olhar admirado ou do outro que não se permite mergulhar e descobrir outros mundos? Ir além do conhecido, do confortável, explorar aquilo que não o vangloria.

Desconfie de pessoas que, no alto dos seus vinte e tantos anos, dizem "sou assim e ponto, não vou mudar porque cresci vendo esse padrão." Qual construção será feita tendo como matéria prima rochas inquebrantáveis?

Respondo-lhe: nenhuma. É o único caso em que "água mole, pedra dura, tanto bate até que fura" não se demonstra.

Se esse é o caminho, não haverá uma simples pedra no meio dele, mas sim a imposição de que você se desconstrua para se adequar a alguém que não tem estofo para se questionar, experimentar-se e criar algo novo com você. Será essa a vida dele que você irá viver, adequar-se, até ele enjoar. A sua, sempre relegada ao desprezo, tornar-se-á cada vez mais mísera.

Se não enxergar isso acontecendo, dê muitos ouvidos à sua percepção de que o outro tenta diminuir a sua vida. Às vezes é difícil notar conscientemente, mas o desdenho do ser amado é o primeiro grande grito da vida indicando a você que deve correr no sentido contrário.

O ditado da água e da pedra existe porque verdadeiro. Se um ser humano consegue ser a personificação do contrário, a única significação que se pode extrair é de que ele apenas quer se relacionar com ele mesmo, e com ninguém mais. Deixe, pois.

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Posso me ver


Algumas vezes eu não gosto de você. Não gosto como você me tratou, de como você me despetalou assim que me conquistou. "Quem ama não despetala" - uma sábia me disse.

A percepção de que o seu amor e suas atitudes para comigo não foram legais pra mim me dá força para seguir em frente. Saber que eu fiz de tudo para mudar nossa dinâmica, para fazer dar certo, me dá tristeza. É uma tristeza resignada, por vezes intensa, mas na maioria das vezes, magoada, que me dá paz.

Aprendemos muito nesse relacionamento. Foram três anos de erros e muito aprendizado, principalmente, do que não fazer. Curso intensivo.

Acabou e meu chão foi junto. Como? Esse amor que eu tinha certeza de estar comigo, de caminhar junto. De não ser perfeito, mas não querer se desapegar. Pertencimento era o que eu sentia. Você meu e eu sua, na minha cabeça.

Pra você não sei até que ponto foi assim. Não sei de fato o que fez você decidir acabar com a nossa relação. Vou às lágrimas ao tentar imaginar o momento.. será alguma coisa que eu fiz, que eu não fiz? Que não fizemos?

Nunca vou saber. Você me deu uma desculpa estapafúrdia e saiu pela porta da frente me agradecendo por ter te transformado em um homem. Assim, ipsis litteris. Doeu.

Meu coração não acreditava, meus olhos não enxergavam, mas eu sentia que o certo era não argumentar. Uma voz me dizia que era o melhor.

Passei as duas primeiras semanas sem comer. Emagreci. Não via nada na minha frente.

Eu poderia desfiar o rosário de como eu cheguei até aqui, quase dois meses depois, inteira. Aliás, inteira não, me refazendo, me sustentando, me restabelecendo.

Hoje, tão pouco depois, eu vejo o mundo de forma completamente diferente. Não posso dizer que um pedaço meu ficou com você, porque me sinto inteira, mesmo que ainda despedaçada. Mas está tudo aqui, ao alcance da minha mão, pra eu pegar de volta e reconstruir melhor.

Acho que o que mais fez eu demorar (a dor transforma segundos em meses) a me recompor foi o susto. Pra mim, até agora, o que aconteceu foi completamente do nada. Um belo dia, no final de um domingo que anunciava uma nova semana, quase como outra qualquer, você me disse que acabou.

Quando eu paro pra pensar, me assusto ainda. Me senti e me sinto traída quando penso que você veio até a minha casa, passou sábado e domingo inteiros comigo, tudo super bem e, antes de ir embora, terminou, colocou ponto final.

Eu demorei a levantar. Estou engatinhando e ensaiando os primeiros passos. Às vezes me dá uma vergonha interna de demorar tanto, ao meu ver, já que você não foi legal comigo. Mas hoje sou uma pessoa mais forte, mais consciente, mais lúcida dos outros e, principalmente, de mim.

Foi e ainda é um grande baque; foi e ainda é uma saudade; foi e ainda é um amor. Mas está passando, assim como os dias. Não sei o que vai ficar, mas você tem razão em uma coisa: eu sou forte. Então, demore o tempo que for, eu vou conseguir caminhar e correr livre, tenho certeza. Está logo ali, posso ver, posso me ver.

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O amor que destrói o amor próprio

Sabe quem é Irina Shayk? Pois é, é essa modelo russa linda-maravilhosa-tudodebom estampada na foto aqui do lado.

Por acaso, a musa também é ex namorada do famoso jogador de futebol Cristiano Ronaldo. Eles namoraram por 5 anos e, recentemente, separaram-se.


Eis que hoje abro os jornais e vejo a seguinte declaração dela:
Não acredito em homens que nos fazem infelizes porque, neste caso, eles são meninos e não homens. Pensei que tinha encontrado o cara certo, mas não aconteceu desta forma. Uma mulher se sente feia quando ela está com o homem errado. Eu me sentia feia e insegura

Ok, vamos lá. A primeira interrogação que sai ao ler o que ela disse é: sentia-se feia? como?

Pois é, meus caros, daí me veio uma luz incrível naquele momento. Antes de tudo, achei sensacional a afirmação pública dela sobre o assunto. Haters vão dizer que ela está dizendo isso agora porque o relacionamento está terminado, mas pra mim é cristalino que isso foi epifania que veio a público.

Achei muito importante que ela, uma mulher evidentemente maravilhosa de linda, tenha vindo a público dizer que sim, com o cara errado, uma mulher pode vir a se sentir inferior, feia, insegura.

E por que isso é tão importante de perceber? Porque, muitas vezes, passamos anos de nossas vidas investindo em relações que nunca vingarão simplesmente pelo fato de não sermos verdadeiramente valorizadas. Chega um ponto que você tem que se decidir: ou você ou a relação.

Veja bem, você pode ser a irmã gêmea univitelina da Gisele Bündchen e, mesmo assim, sentir-se feia se convive diariamente com uma pessoa que, conscientemente ou não, te desvaloriza. Mesmo que você seja dona de uma senhora auto estima, o dia a dia é massacrante e poda qualquer tipo de valor que você tenha por você mesma.

É claro que há aqueles que, em um momento mais forte, percebem a cilada e pulam fora. Mas, em determinadas épocas da vida, ou mesmo por acreditar que aquela pessoa irá mudar, que vocês podem consertar a dinâmica da relação, há uma insistência que gera apenas muita tristeza para o pólo mais fraco do relacionamento.

Porque sim, quando uma pessoa subjuga a outra, automaticamente, se você permanece, você se torna o pólo mais fraco. E aí não há academia, dieta, creme, perfume, espelho que te diga o contrário: a omissão do outro ou sua ação corrosiva sempre falará mais alto.

Isso porque é vil que aquela pessoa que supostamente deveria te amar mais do que todos de alguma forma te rebaixe. Principalmente porque, em geral, não há movimentos explícitos nesse sentido. São coisas veladas, às vezes até mesmo cobertas de muitos elogios, mas o sentimento de inferioridade/superioridade já se instalou.

É por isso que, em uma relação, seja amorosa, seja de amizade, seja familiar, é muito mais importante analisar as atitudes do outro, do que suas palavras. É óbvio que Cristiano Ronaldo reconhecia a beleza de Irina Shayk, já que não é cego, mas certamente algo em seu comportamento fez com que a segurança dela fosse diariamente minada.

Imagino que muitos vão dizer que a responsabilidade foi dela, que se deixou estar nessa situação. Não percebem, porém, que o golpe mais baixo a ser dado no outro é aquele que machuca lentamente, sem ser percebido, silencioso, proveniente daquele ser que você mais ama. Em geral, não se percebe esse movimento e, quando ele é identificado, já é tarde demais. 

A solução é separar e redescobrir-se novamente, mais forte, deixando para trás tudo o que foi dito e feito que você não merecia.

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Reflexões, a gente se vê por aqui


Alguns anos depois, cá estou eu de volta. Embora eu tenha escrito pouco nesse espaço sobre minhas reflexões, o que escrevi aqui será importante para que eu possa me reprogramar mentalmente diante do que têm acontecido atualmente na minha vida.

Na verdade, do que aconteceu. Passado que é tão presente ainda, mas que está sendo, gradualmente, desfragmentado, reavaliado, reelaborado, passado a limpo. "Nada se cria, tudo se transforma"? Acho que, na vida, nada se esquece, tudo se reelabora. Não dá pra voltar e fazer de novo de um jeito que agora seria melhor. E será que seria mesmo?

Há uma série chamada "Being Erica", que eu assisti há uns anos, que falava exatamente sobre isso. Uma jovem ruiva que sempre tentava reviver mentalmente seus momentos e se arrependia de não ter feito isso ou aquilo de forma diferente. E aí vinha a vida e dava a ela o poder de voltar lá naquele ponto e refazer. A curiosidade é que, não adiantava, Erica sempre esbarrava nos mesmos problemas.

Acho que, na vida, a gente tem que esbarrar com determinadas questões. Seja para resolver ou se debater com elas, estarão aí, sempre pra nos desafiar. Então não adianta pensar "eu deveria ter feito isso ou aquilo", porque já foi. O que resta, agora, é reelaborar isso de uma forma com que o aparente erro se torne um grande aprendizado.

Eu sei que poderia ter feito muita coisa diferente nos últimos anos. Poderia ter sido uma pessoa melhor, não pra uma outra pessoa, mas verdadeiramente melhor pra mim. Mas não fui. Não soube fazer. Fui o melhor pra mim do que deu.

A vida, agora, me dá esse presente incrível de olhar pra mim e me enxergar. Sem o filtro de outras pessoas no meio, só eu e eu mesma, com muitas escolhas, meus amores, minha história.

Há muito o que se entender do que se passou nos últimos anos. Uma determinada pessoa que passou pela minha vida com um manto de bondade e que, em verdade, não era tão cool assim. Mas isso é papo pra outra reflexão.

Agora, eu me permito voltar. Aliás, voltar não. Me reencontrar, no limite entre o que eu sempre fui e o que eu me tornei, porque as experiências mudam a gente e, graças a Deus, temos a oportunidade de nos tornarmos uma versão melhor de nós mesmos.

Solavancos da vida sempre virão. Algumas vezes operados por desconhecidos, outras por conhecidos e, como agora, por pessoas muito muito próximas, que significavam um amor. Mas até isso muda.

Da vida, tudo o que temos é o presente. O ontem não pode ser reescrito e o amanhã não nos pertence ainda. Por isso, esses dois tempos vitais são apenas histórias, uma que já aconteceu e outra que talvez possa nem vir a acontecer. Dessa forma, por mais clichê que pareça, o que nos resta, hoje, é agarrar o presente e encará-lo de frente, com força, com hombridade, com compaixão, para que o hoje seja amanhã um passado melhor e para que o futuro, hoje, seja mais promissor.

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A grama do outro

A percepção de que estamos sempre achando a grama do outro mais bonita já é antiga. Já sabemos de cor e salteado que nada é tão bonito e tão feio, de perto, quanto nos parece de longe.

Entretanto, isso me faz pensar o quanto passamos batido dessas máximas no nosso dia a dia. Até nas nossas relações mais próximas nos deixamos ludibriar por uma posição de vantagem do outro, até no amor.

Esse ano me peguei fazendo algumas coisas tão estapafúrdias por insegurança! Insegurança mesmo, desespero de perder. Oi? Pois é.. 

E a vontade de sempre agradar o outro, mas ao mesmo tempo sempre se meter em sua vida!? Erros tão comuns que muitas vezes nem percebemos.

O cerne da questão é a seguinte: cuidemos de nossas próprias vidas!

Não sei a partir de qual momento eu me esqueci disso! Fiz algumas coisas achando que estava condicionada pelo "amor", quando, na verdade, era pela burrice, porque só quem se ferrou fui eu! Quando eu quebrei meu celular (momento tenso de confissão), quando eu não me concentrei o suficiente naquela prova porque estava com outras obrigações com relação a ele na cabeça e por aí vai.

E eu tenho consciência de que tudo isso fui eu que fiz. Se a atitude dele teve influência direta ou não, no final das contas, fui eu que tasquei o celular no chão e fui eu que não me concentrei o suficiente para aquela prova. Eu, só eu. Não adianta culpar o outro, assim como não adianta continuar nessa tentativa desenfreada de bancar a boa namoradinha suprema.

Let it go, let it be, solte as borboletas e mais o raio que o parta.

Não quer mudar pra minha operadora não muda; quer fazer o cartão com a mamãe, faça.. ah, eu hein.. enquanto eu tô perdendo meu tempo e minha energia tentando mostrar pra ele o que eu acho melhor que ele fizesse (control freak?), eu mesma estou perdendo o prumo da minha vida.

A verdade é que não é fácil mesmo encontrar o equilíbrio entre se meter, opinar, se envolver, trazer aquilo pra sua vida, viver aquilo e por aí vai.

O fato é que agora eu preciso me concentrar em mim. No meu estudo, no meu corpo, na minha alma, na minha família, enfim, na minha vida. De repente, no meio desse caminho, tudo melhora. Amém!

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Fácil e Difícil

Dar carinho e atenção ao outro, quando se está em sua presença e está tudo bem, é fácil.

Quero ver é quando se está distante e a pessoa discorda de alguma coisa. Quando a noite não se compromete com uma briga. Quando não se faz tudo o que a pessoa quer. Aí que eu quero ver.

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Eu quem?

Sabe aquela mulher apegada, dependente, ciumentinha e que adora criar uma celeuma porque o namorado foi na esquina e não avisou? Que ser humano abominável.. eu me tornei. Jesus, acende a luz! Mas vamos começar por partes..

Ironicamente, mudei o status do relacionamento para: sério (irônico diante do post anterior), há mais ou menos um mês. Entendido isso, vamos lá.

Não sei se é a minha falta de vida (estudo sempre e descanso nunca), mas eu estou louca há um tempinho já. Dito cujo pode aproveitar a vida e isso me enloquece de uma maneira que eu não sei se sou ciumenta ou invejosa. Isso é ciúme dele ou é inveja da disponibilidade de vida dele? Ou os dois?

Eu só sei que entramos em uma espiral não muito legal de brigas e policiamento da vida alheia. Mais eu do que ele, confesso, porque ele mesmo nem tem o que se preocupar, já que ou eu sempre estou estudando ou eu sempre estou estudando.

Eu sei que o primeiro passo é admitir, e eu admito: puta mulher ciumenta-invejosa que eu sou. Meu lado controlador gostaria de descobrir se eu sou mais ciumenta ou invejosa - e talvez por isso eu tenha começado a escrever esse texto - mas ouso dizer que só saberei isso quando eu tiver tempo livre para poder aproveitar um pouco a vida e perceber se continuo meio pirada das ideias.

Não estou gostando do ritmo que eu imprimi nessa relação, por causa desses sentimentos péssimos e reais que me habitam. Nossa.. como eu gostaria de estar na terapia. Aliás, foi só eu sair da terapia ($$$) pra começar a precisar muito dela. Juro, antes eu mais passava tempo do que resolvia alguma coisa, porque não tinha nada imediato a ser resolvido. Agora tem: heeeelp!!!

Mas também não sei medir.. eu fico o dia inteiro sem falar e falo no final? Falo em doses homeopáticas, mas me controlo se a resposta demora pra chegar? Isso porque eu tenho a convicção de que ele tem menos coisas pra fazer do que eu - tá, de repente minha visão é parcial quanto a isso, pelo menos durante os dias da semana, porque quanto aos finais de semana ele não tem nada nunca pra fazer e eu sempre tenho obrigações mil.

Ah, sei lá.. estou numa fase de vida muito difícil para lidar bem com as possibilidades do outro, enquanto as minhas são tão restritas. Aí junta o fato de ele ser distraído, nunca ter tido um namoro tão sério antes (estamos juntos há quase um ano, só que o namoro oficializamos há pouquinho tempo) etc.

Ai papai.. queria um conselho eficiente. Alguém pode disponibilizar for free

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Status de relacionamento

- Mas você não pode exigir isso se não são namorados!

Como as pessoas se importam com um status de relacionamento. Nos falamos todos os dias, o tempo todo, nos apoiamos, damos conselhos, dividimos tristezas e alegrias, desabafamos, rimos, brigamos, nos reconciliamos, pensamos, divergimos, tudo exatamente como namorados. Todos os dias e todas as noites. 

O problema é que eu estou insegura pra falar: ok, vambora nessa, coloca aí, fechou, somos agora esse unha e carne de amor, somos namorados. Sem ou com razão, eu arregaço no último minuto e não oficializo em um status do que já acontece na realidade. 

E aí o que as pessoas querem dizer com aquela frase lá em cima, na verdade, é que eu devo pagar por esse medo, por deixar o outro sem o tão aclamado status, como se isso pódium fosse.

E o fato de estarmos todos os dias juntos, compartilhando a vida, não importa? O relacionamento entre duas pessoas deixou de ser o importante diante da falta de um rótulo externo? Status pra quem se eu já ajo com a seriedade necessária? Eu sei que em parte eu estou errada, mas me sinto assim.. entendo o que as pessoas dizem, mas minha postura diante dessa relação não me deixa aceitar que eu só possa exigir coisas se eu oficializar para os outros um namoro. A minha relação é com os outros ou com ele?

Eu devo ser muito estranha mesmo..

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Ex paixão ao telefone

A vida é muito doida. Essa é uma constatação meio óbvia, mas não menos verdadeira. 

Hoje não estou afim de fazer um texto bonitinho não. Vou só escrever e pronto, não estou lírica hoje (ui). Vamos lá..

Ando me sentindo a pior das piores. Uma bola, feia, nem minimamente atraente, uó. Assim, bem exagerado mesmo. E aí que eu tenho ensaiado mentalmente uma dietinha, um exercíciozinho, mas nada está indo adiante. E isso acabou por refletir no relacionamento com meu caso quase namorado.

Explico. Há algumas semanas, quando minha mãe e a amiga dela o viram, disseram que eu estava fazendo besteira em não aceitar namorar com ele, que ia acabar perdendo, já que ninguém aguenta fica esperando ad eternum. Verdade dita, desespero instaurado.

Os amigos dele inventaram uma viagem aí que não me desceu pela goela e minha vida virou um inferno. Me descabelei porque não aceitava que ele iria independentemente da minha opinião. Certo que a determinada altura ele falou que, se eu não quisesse, ele não iria. Mas o fato de eu já ter me descabelado por dias invalidou essa concessão. Vai, e vai logo.

Andava sentindo ele meio distante, mas, no fundo, eu sabia que eu que estava começando a ficar preocupada demais, gostando demais, com medo demais. Eu sabia que ele estava a mesma coisa, eu que estava paranóica pós conversa com minhas mães. 

Passaram-se os dias, e eis que essa semana uma ex paixão minha ligou. Sabe aquela ex paixão de infância, com quem você teve uma história longa, cheia de altos e baixos e isso que justamente a fez ser tão única!? Pois é. Tinha sido aniversário dele na semana passada e eu tinha mandado uma mensagem totalmente formal desejando parabéns (porque a mulher dele é uma freak ciumenta, embora eu não a possa culpar por isso).

Aí que essa semana ele me ligou e ficamos uma hora e meia no telefone conversando, depois de milhares de meses sem nos falar. Me disse coisas inacreditáveis, a exemplo de como foi bom e importante pra ele a época em que estávamos juntos e como isso ainda é muito vivo na cabeça dele. Disse horrores de maravilhas. Verdade ou não, caramba, que mulher não se apaixona por um homem apaixonado? Tá, eu, com meu caso. hahahah Mas digo no sentido de alguém por quem você já sofreu uma paixão avassaladora né. Pra mim, isso ficou lá atrás, mas não deixo de confessar que as palavras dele me dera um fôlego.

E foi eu desligar o telefone com a ex paixão para avisar meu caso, no alto da minha sinceridade, do acontecido. A conclusão? Nossa, deviam me ligar mais vezes. Os dias que se seguem são de extremo amor, carinho e paixão por parte do meu caso. Ontem até escapuliu dizendo que está apaixonado por mim. Ora, veja, de repente nasceu-se uma verborragia infinita. Ele sempre disse que é louco por mim, tenho que admitir, mas, meu Deus, nos últimos dias estes começam e terminam com palavras de adoçar os ouvidos de qualquer meninina, mulherão ou senhorinha. Uh-lá-lá..

E aí que a viagem dele é hoje e ontem ele já me atormentou contando detalhes prosaicos como, por exemplo, que horas vai e que horas volta. Eu, que já estava emocionalmente distante com o telefonema da ex paixão, voltei a ficar enebriada com a história da viagem. Sonhei essa noite que estávamos em uma festona e ele ficava com uma garota aleatória, apaixonadamente. Ahhhh que raiva. Eu gritava no sonho. Aliás, ando muito histérica nos meus pensamentos.. eu hein.

Enfim, eu sei lá, só sei que nesse redemoinho de emoções, a gente vai tentando captar o que há de bom pra ficar e pra ir embora. E, quase nove meses depois, eu ainda tenho dúvidas e nem sei mais onde começa o amor e termina o orgulho, e o que me faz estar sempre tão pouco sincronizada com os sentimentos dele. Bem, o que eu sinto é que está chegando a hora de parir essa relação definitivamente, seja pro sim ou pro não. Medo.

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Recording

"Bonita você já é" (3x)

Wow.. como podemos ficar tão bobas com tão poucas palavras!? Nice!

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Querido caso,

Você foi viajar mesmo sabendo que eu não poderia, mesmo sabendo que eu ficaria aqui jogada às traças dos livros empoeirados de novas jurisprudências e teorias.

Você quase que instantaneamente decidiu ir, e foi. Então, não me venha dizer de saudades, pois saudade é para quem não escolhe, para quem de outra forma teria feito diferente. A saudade é para os sujeitados, e não para os sujeitos.

Aproxima-se a data de sua volta, e me encontro na espreita de desvendar um modo bem sub-humano de te torturar. Não que sua ida tenha me maltratado de forma tão dolorosa, mas o fato de você ter subvertido a ordem das decisões me irritou. E só pelo fato de eu estar irritada, decidi que você tem que sofrer. Assim mesmo, de forma bem primitiva, sem muitas elaborações.

Nada me ocorre momentaneamente. Não falar muito com você? Você logo perceberia e abriria alguma discussão para verbalizar isso. Não quero discutir, porque brigar é você ter a dimensão da grandeza do meu incômodo. Não, não vou discutir com você. Também não vou deixar você perceber que não estou falando tanto com você por birrinha, pois o resultado seria o mesmo.

Já sei! Direi que estou muitíssissimo ocupada. Sabe como é, uma semana é o suficiente para que o sistema solar realinhe os astros e muito mude por aqui. Como meu pai diz: "uma mulher se reinventa a cada momento". Estarei ocupadíssima com tarefas domésticas inadiáveis. 

Na quarta, vou assistir audiência e resolver coisas, digamos, processuais. Nem me venha com questões de almoço, pois serão rechaçadas pelo meu senso de responsabilidade e urgência com minhas horas.

Na quinta, resolverei uma pendência de máxima importância: o supermercado do mês. Se dizem que saco vazio não para em pé, o que se dirá sobre uma dispensa, não é!? Tudo muito importante e exaustivo.

Na sexta, terei um almoço com um amigo antigo que você morre de ciúmes, depois terei minhas tarefas femininas inabaláveis e, à noite, se a órbita estiver favorecendo, sairei com amigas para bailar no aniversário de uma comadre de turma. Nossa, essa sexta está de arrasar no meu plano de fazer você se torturar. Ah, querido, não fique assim. Você que está se fazendo isso, afinal, eu não estou fazendo nada, mas apenas continuando a vida que sempre esteve aqui, você que se ausentou e perdeu o passo.

Ah.. e já que estamos falando de tortura, haverá requintes: tudo será falado com a voz mais mansa e dissimulada do mundo. Afinal, não quero que você saiba que tudo é um pouco propositalmente para te incomodar.

No sábado, passearei por aí e estarei muito cansada à noite para qualquer prosa mais alongada. E, no domingo, encontrarei com uma amiga e resolverei pendências para a semana seguinte.

Acho que é isso, por enquanto. Minha pequena vingança tem programação até domingo, então ficamos assim combinados. Afinal, meu querido caso, você viajou, mas o planeta não parou de rodar por aqui, muito pelo contrário, estamos girando de vento em popa.

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Conversas fantásticas

- Oi, quero um pão na chapa e um café, por favor.
- Pão na chapa normal?
- Sim. (...) Peraí, peraí, tem outra opção além do normal?
- Não.
- Ah, não? Bem, então vai o normal mesmo.

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Estripulias joviais

Ouch.. esse título foi digno de uma senhorinha de 80 anos, fala sério!? hahaha

Mas bem, vamos ao que interessa, o motivo do título e do post. Estava eu, ontem, voltando pra casa no fim do dia no ônibus, morta com farofa, e sentei - com muita alegria no coração, já que estava carregando bastante peso - do lado de uma mocinha de chinelo, toda jogada no banco, com uma cara assim.. esquisita. Sabe quando você percebe que tem alguma coisa estranha no ar!? Ela não tinha nenhuma bolsa na mão, estava encostada com a cabeça na janela, com cara de desolada, espremida no canto.

Minutos depois que sentei e o ônibus recomeçou a andar, eu - que estava com phone ouvindo música - percebo um papo da menina com o trocador do ônibus que pareceu ser a resolução daquele mistério. Claro que, discretamente, desliguei a música e comecei a ouvir o papo deles enquanto olhava para o outro lado fingindo que continuava a escutar a música (quem nunca? hahahah).

Mas vamos ao que interessa. A mocinha tinha faltado ao colégio e, não sei porque cargas d`água, estava dando voltinhas de ônibus com o trocador. Aliás, eu sei né, é óbvio que os dois estavam de namorico (update para hoje em dia: se pegando) e ela resolveu passar uma tarde romântica ao lado dele.. no ônibus.

Opções de romantismo a parte, ela estava preocupadíssima porque a mãe não parava de ligar para o celular dela, estranhando que não tinha chegado em casa ainda. O telefone tocava, tocava, tocava e ela não atendia e falava pra ele "hoje eu morro". Logo que ela começou a falar isso eu já pensei em um caso que passou no "Profissão Repórter" no qual a mãe achava que a filha estava desaparecida quando, na verdade, ela só não tinha voltado pra casa com medo da bronca que ia levar da mãe por ter passado o dia com o pseudo namoradinho. Me deu uma baita aflição pensar nisso, vai que a doida resolvesse não voltar pra casa também com medo da bronca!? Ai papai.. Já estava eu, tensa, não com meu cansaço e aquele trânsito, mas sim que a mocinha do meu lado não parecia estar nem perto de chegar em casa.

E ela, tensíssima, falava: "nunca mais faço uma loucura dessas" - e perguntava: "fulano (esqueci o nome), que horas vou chegar em casa?" (eram 20h), aí ele: "20h40 no máximo". E eu nem pensava "aham, Cláudia, senta lá" porque não ia adiantar muito, pensava "aham, fulana, deita aí mesmo que vai demorar muito".

E toca o ônibus parar em todos os sinais possíveis e imaginários, carro quebrado na pista etc. E olha que entre eu entrar e sair do ônibus é um trajeto de tipo uns 3 km.. coisa pouquinha, mas que, com o engarrafamento, demooora.

As poucas vezes que o trocador deu algum parecer sobre a situação que não fosse dar alguma ideia mirabolante de desculpa para ela dar pra mãe (com o que ela respondia com um: ih, não vai colar, minha mãe pesca tudo, não é nada boba), ele disse para ela descer do ônibus e pegar outro em outro sentido para ir mais rápido. Veja só.. a menina perde aula, some da mãe, vai levar uma mega bronca, e o tapado sugere que ela desça do ônibus e pegue outro pra se virar e voltar pra casa sozinha. Quase intervi chamando-o de banana, mas resolvi manter minha pose de quem estava ouvindo Naldo ou qualquer coisa que o valha enquanto continuava olhando para o outro lado.

Por fim, desci do ônibus torcendo para que minha amiguinha chegasse em casa o mais rápido possível. Mas o engraçado foi lembrar como eu também já fiz um bocado de travessuras que, olhando na teoria, eram muito desnecessárias, mas, à época faziam todo o sentido e tinham todo o significado do mundo. Viva a juventude e a paciência de nossos pais!

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Ação aqui, reação acolá

Andei pensando essa semana em como o movimento de uma pessoa repercute na vida de uma outra, não exatamente de uma forma lógica. Por vezes, a decisão de uma amiga sua, ou de um casinho faz você repensar a sua própria vida e tomar decisões em cima disso, não porque fizeram nada relacionado a você, mas porque aquelas ações repercutiram de alguma forma na sua alma, trazendo novos motivos, novas razões, ou levando as que havia.

Tenho um caso de meses que viajou essa semana. Diz ser apaixonado por mim, mas viajou para outro país com amigos e amigas, mesmo sabendo que eu não poderia ir, mesmo sabendo que eu ficaria aqui estudando, sem nenhum ar fresco de férias bem aproveitadas. 

Claro que cada um deve aproveitar o máximo de vida que a vida lhe dá, sem dúvidas, mas que rolou um ressentimento aqui dentro, rolou. O cara diz que é louco por você, fala com você todos os dias, o dia todo, diz que morre de saudades quando vocês não se encontram, mas, mesmo eu não podendo ir, ele arruma a mala e vai viajar com amigos e amigas por uma semana. E, vejam só, ainda ficou triste quando eu disse que ficaríamos sem nos falar esses dias, para dar um ar fresco. Imagina.. ele que viaja e eu que tenho que ficar aqui recebendo fotos da alegria e falando com ele para que ele não sinta saudades. Ah tá, espera..

O curioso é que foi só ele entrar no avião para que o rancorzinho criado em mim me desse a convicção de que está na hora de seguir em frente. De parar de me enganar também, porque eu já disse mil vezes pra ele que não vamos namorar, mas eu estou me prendendo também, afinal, só saio com ele, só faço planos com ele etc, mesmo sabendo que meu coração não bate perdidamente ali.

Foi aquele avião decolar para que eu me sentisse livre. Saber que vou andar nas ruas e não tenho o risco de  esbarrar com ele por uma semana me pareceu de um frescor imenso. Como se eu me sentisse na liberdade de ser feliz com os outros sem a vergonha de esconder de mim mesma que eu consigo ficar bem "sozinha". Na verdade, o que me bateu foi uma vontade imensa de ser feliz com outras pessoas. Simples assim.

O curioso é que nessa mesma semana uma amiga minha praticamente tomou a decisão de terminar seu namoro para experimentar o voo solo pela primeira vez. O que é isso? Ficar "sozinha", não pular de um namoro para o outro, viver a delícia de se saber o que é sem uma muleta ao lado. E me intimou para saídas na fossa agendada.

Ventos novos? Não sei, mas tomara que melhores. Não posso deixar de pensar, contudo, como as decisões que outras pessoas tomam em suas próprias vidas me afetam. Se para melhor, que continuemos assim.

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Em tempo de compreender

"Compreendi que para ser feliz basta querer...
Que a decepção não mata
Que os verdadeiros amigos permanecem
Que a beleza não está no que vemos e sim no que sentimos
Que o valor está na conquista
...Que as palavras têm força
Que fazer é melhor do que falar
Que o olhar não mente
Que viver é aprender com os erros
Aprendi que tudo depende da vontade
Que o melhor é ser nós mesmos
O tempo cura tudo"


Work in progress!

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